O Brasil não quer os mini-carros
Quase todas as montadoras já tentaram, sem o sucesso esperado, colocar no mercado suas versões e concepções de mini-carros. Aqui no Brasil, o Ford Ka e o Renault Twingo foram as mais conhecidas tentativas. o Ka teve de ser totalmente reestilzado para perder o estigma de carro apertado, sem porta-malas e, logo, caro. A Renault simplesmente desistiu do Twingo. Lá fora, a Fiat já reestilizou e relançou o Fiat 500 mas não se arrisca a lançá-lo por aqui.
Lendo a matéria do meu xará Eduardo Hiroshi, na Interpress Motor, percebi que há realmente um problema de aceitação dos mini-carros por parte do consumidor. “Por um pouco a mais na parcela”, pode-se comprar um carro maior (leia-se melhor). Ao mesmo tempo, parece haver um insistência em colocar estes modelos nas ruas, mesmo estando evidente o fracasso financeiro do projeto. Me parece apenas a velha (e eficiente) aplicação de market-share da montadora.
Entendendo o vespeiro
Os impostos colocam os carros brasileiros entre os de piores custo-benefício do mundo. Mesmo assim, cerca de 800 novos carros são emplacados e licenciados na cidade de São Paulo, todos os dias. Em outro post, citei a preocupação da CET em um caos definitivo e imediato que poderia ocorrer caso carrinhos como o Cherry QQ e o Tata Nano entrassem no mercado brasileiro pelo preço sugerido nos seus respectivos países de origem.
Quem me dera ter a solução dos problemas da humanidade. Conversando com alguns amigos e juntando as palavras jogadas na mesa de bar, a idéia de tratar o comércio de carros como hoje são tradadas as armas de fogo, talvez seja a solução mais plausível e aplicável: só poderá comprar um carro, quem comprovar que precisa de um. Mas isso é assunto para outra discussão…
O mercado “zilionário” que envolve as montadoras, as indústrias de auto-peças e seus respectivos fornecedores de matéria-prima é responsável por uma violenta arrecadação de impostos, pois os carros alimentam os cofres públicos quando são vendidos e durante sua vida útil, enquanto rodam pelas ruas. Uma imensa fatia dos empregos e negócios no país, também depende da frota circulante, e crescem junto com o aumento da mesma. O setor gera renda para todo o tipo de profissionais; desde presidentes de grandes multinacionais à flanelinhas.
Voltando aos minicarros superpopulares
Onde foram idealizados, estes mini-carros super-populares, buscam como público alvo os motociclistas que, por força da baixa renda, trasportam famílias de cinco pessoas em um única moto: uma situação que faz parte do cotidiano da Índia e China.
Ao mesmo tempo que são mais seguros e confortáveis que uma moto, estes carrinho não atendem as normas de segurança mínima impostas para a sua comercialização no Brasil. Definitivamente, também não uma opção para os motoboys (moto-frete) brasileiros, uma vez que a idéia deste serviço é escapar dos congestionamentos. Os mini-carros, não são tão “minis” assim.
Números interessantes
- Segundo matéria de Cleide Silva no Estadão, os brasileiros estão comprando carros cada vez mais equipados e mais caros. O valor médio de gasto para a compra de um carro (tíquete médio) em 2006 foi de R$46 mil e hoje está em R$50 mil.
- Os carros com motor 1.0 diminuíram sua participação nas vendas de 56,2% para 50,8% nos últimos dois anos.
- Nos quatro primeiros meses de 2008, o mercado de carros cresceu 35% no total: os populares cresceram 21%, os sedans aumentaram 32% nas vendas, e os utilitários esportivos, que custam acima de R$80 mil, tiveram um crescimento 98% nas suas vendas.
Os mini-carros realmente não têm mercado aqui no Brasil não somente pelo fato de não terem escala de produção suficiente para baratear o seu preço, mas pelo fato de que os carros são tratados como símbolo de status social por aqui. Além disso, forma-se uma equação complexa, de variáveis duvidosas, ou vice-versa , pois:
Mais carros nas ruas geram:
mais arrecadação (Multas, IPVA, ICMS do cumbustível, venda de peças e serviços, etc.), mais poluição, mais congestionamentos.
Menos carros nas ruas geram:
Mais ar puro, mais fluidez no trânsito, menos impostos, menos vendas de carros, peças e serviços. E menos impostos, significa menos investimentos dos governos (mas isso também é outro assunto).
Dadas as premissas, você realmente compraria um carro superpopular? Dê sua opinião! Comente!










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May 17th, 2008 at 12:16 am
Algumas considerações sobre os motivos que fazem a produção dos carros superpopulares tornar-se inviável no Brasil….
May 17th, 2008 at 12:23 am
Entenda porque o mercado brasileiro não é interessante para as montadoras que os produzem….
June 4th, 2008 at 11:24 pm
Caro Irailson. Esta não é minha opinião. É minha constatação. Porquê você acha que o Gurgel BR-800 não vingou?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gurgel_BR-800
June 8th, 2008 at 1:28 pm
June 9th, 2008 at 7:23 pm
June 11th, 2008 at 9:57 pm
June 20th, 2008 at 7:39 am
Abraços.
June 21st, 2008 at 8:54 pm
June 26th, 2008 at 4:32 pm
as montadoras maquiam os carros, reduzem a qualidade dos acabamentos e componentes e aumentam os preços todo ano, mas sempre tem a perua gorda ou o zé mané que paga em 84 vezes um carro e sai feliz…
Enquanto tivermos essa mentalidade, as montadoras continuam cagando em nossas cabeças.
Viva o Brasilllllll!!!!!!!
July 1st, 2008 at 7:50 pm
July 22nd, 2008 at 11:15 am
ultilitario entre 10.000,00 e 14.000,00 com toda certeza eu seria um comprador, e renovaria meus carrinhos,,, minha opinião é que na verdade os preços destes chamados mini-carros são preços de carros comuns em nosso Brasil…